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Entrevista

 

Luiz Luccas

médico veterinário
Diretor de operações para animais de companhia da Merial Saúde Animal.
Presidente da Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).

entrevista - Out/2010

   
     

Luiz Luccas é veterinário (FMVZ-USP, 1985) fez aprimoramento na Youngstown State University, Ohio University e na Fundação Getulio Vargas/SP. Em 2009 a COMAC, presidida pelo Dr. Luccas, contratou empresa especializada para fazer o levantamento 'Radar Pet'.

A pesquisa avaliou mais de 2,1 mil domicílios em abril de 2009, distribuídos em seis regiões do Brasil, as quais somadas representam 20% dos domicílios brasileiros. A idéia da Comissão é atualizar esta pesquisa a cada dois ou três anos para observar a evolução do segmento no Brasil. Uma nova rodada está planejada para o começo de 2012.


Dr. Luiz Luccas esteve no V Curso Teórico Prático da UNESP-Jaboticabal, proferindo a palestra "Mercado Pet Food no Brasil" na qual mencionou dados da pesquisa 'Radar Pet'. Confira a seguir a entrevista exclusiva concedida ao nutrição.VET.






Luiz Luccas. Mercado pet food no Brasil. Brazilian pet food marketing.
   
   
01: Qual era sua expectativa a respeito do curso e qual sua impressão agora ao final do evento?
02: Em sua palestra você comentou sobre a tendência de crescimento do mercado de felinos em relação ao de cães, que isso já acontece no exterior. Você acha que isso vai acontecer no Brasil? As empresas de pet food têm de se preparar para este mercado? É comum ouvir-se que o dono de gato é muito diferente do proprietário de cachorro... 05: Você mencionou na palestra a questão da ração vendida a granel. Se o consumidor não sabe nem identificar a marca do produto, como vai diferenciar o produto que tem mais ou menos qualidade? Ou seja, como a qualidade dos produtos vai aumentar ao longo do tempo se o consumidor não sabe quem a tem e quem não tem? Qual o tamanho deste problema?
03: Você mencionou também o peso da carga tributária na cadeia produtiva. Que cenário você visualiza para o Brasil em que isso mudasse para fazer diferença para o mercado pet? 06: Nós estamos aqui em no curso da UNESP Jaboticabal para aprimoramento de profissionais do setor de produção de alimentos para pets. Qual a importância no Brasil do aprimoramento técnico das pessoas deste segmento?
04: Conforme você disse na palestra, pode existir uma impressão por parte de quem está pensando em entrar no mercado pet food, de que o Brasil está em um crescimento vertiginoso nesta área. Qual é o real estágio do Brasil nesta curva de crescimento de mercado neste momento? 07: Tem uma mensagem final?
   
   

     

nutrição.Vet: 01-Qual era sua expectativa a respeito do curso e qual sua impressão agora ao final do evento?

 

 

 

Dr. Luccas: Bom, a primeira coisa com que eu fiquei positivamente satisfeito foi a audiência, um número grande de participantes, pessoas tanto profissionais que já atuam no setor.

 

Vimos isto quando a gente fez a pergunta à platéia [sobre quantos participavam já do setor e quantos eram estudantes].

 

Isso mostra que o curso tem uma abrangência muito grande, ou seja, ele tem uma capacidade de atrair pessoas do mundo acadêmico e do universo profissional e sem dúvida nenhuma - é a primeira

vez que eu participo - para mim já é um fator muito importante.

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"... o curso tem

uma capacidade

de atrair pessoas do mundo acadêmico e do universo profissional ...”

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(pg.01.) (continua). (topo).

 

     
     

nutrição.Vet: 02- Em sua palestra você comentou sobre a tendência de crescimento do mercado de felinos em relação ao de cães, que isso já acontece no exterior. Você acha que isso vai acontecer no Brasil? As empresas de pet food têm de se preparar para este mercado? É comum ouvir-se que o dono de gato é muito diferente do proprietário de cachorro...

 

 

Dr. Luccas: Sem dúvida que são diferentes, a preocupação do dono do gato é maior, o próprio animal é mais seletivo no que come, é mais complexa a relação com um felino do que com um canino, isso tudo determina um consumidor mais atento aos produtos, mais atento à qualidade, à aceitabilidade do produto. é um consumidor que procura se informar mais. Mas esse é um consumidor que vai buscar mais qualidade independentemente da classe social e se ele não tiver qualidade, se ele ficar confuso com relação à qualidade, ele tende a buscar marcas fortes.

 

Neste setor, a construção de marcas, que traduzam para

melhor comida para gato. melhor alimento para gato. melhor alimentação para gatos. ração para gato obeso.

 

 

este consumidor, qualidade, confiança... ele não pensar muito "olha vou comprar este produto que é um produto confiável" pode ter um efeito muito mais rápido e muito mais duradouro que no mercado de cães.

(pg.02.) (continua). (topo).

 

     
     

nutrição.Vet: 03- Você mencionou também o peso da carga tributária na cadeia produtiva. Que cenário você visualiza para o Brasil em que isso mudasse para fazer diferença para o mercado pet?

 

 

Dr. Luccas: Se houvesse uma diminuição da carga tributária uma das primeiras coisas que haveria seria um aumento do consumo de produtos de mais alta qualidade, porque este é um entrave muito grande.

 

Um consumidor pagar dez reais por quilo ou mais de dez reais por quilo

 

 

 

 

melhor comida para cães e gato. melhor dieta para gatos. alimentação para cães.

de alimento super Premium no Brasil [out/2010] é um valor muito alto. É um valor que chega a ser mais que o dobro do que é nos Estados Unidos em reais hoje.

 

Então... é complexo e eu vejo que o setor se beneficiaria muito. Mas eu não vejo, no cenário político, nenhuma luz no fim do túnel, infelizmente, porque isso não está nem de longe no foco das discussões, e, aliás, com o aumento do gasto público, a tendência no Brasil infelizmente é o contrário, é você ou manter a tributação atual ou mesmo aumentá-la.

 

Então nós temos de estar muito preparados com grupo para defender nossos interesses, porque é um setor um pouco ainda desconexo. 


(pg.03.) (continua). (topo).

 

 

 

     
     

nutrição.Vet: 04- Conforme você disse na palestra, pode existir uma impressão por parte de quem está pensando em entrar no mercado pet food, de que o Brasil está em um crescimento vertiginoso nesta área. Qual é o real estágio do Brasil nesta curva de crescimento de mercado neste momentov?

 


Dr. Luccas: Se você olhar o mercado nos anos 90, anos 2000, etc., você nota claramente que nós estamos em uma outra fase, com crescimentos muito mais modestos, uma estabilização em volume, isso nos últimos anos [entrevista realizada em out/2010].

 

E isso se deve basicamente porque aquela demanda reprimida que nós tínhamos, ou seja, necessidade de um alimento conveniente, bom para o animal, ela já foi se certa maneira, alcançada.

 

Então nós vamos ter agora nos próximos anos que pensar em como aumentar a qualidade, em como aumentar o valor agregado dos produtos para que haja um aumento das

nossas vendas sem que haja aumento do volume.
 

Ou seja, não vamos pensar que nós vamos aumentar vendas, aumentar o valor do nosso segmento simplesmente aumentando volume, acho que essa equação já não fecha mais.

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"... aquela demanda reprimida que nós tínhamos (...), ela já foi se certa maneira, alcançada.”

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(pg.04.) (continua). (topo).

 

 

 

     
     

nutrição.Vet: 05- Você mencionou na palestra a questão da ração vendida a granel. Se o consumidor não sabe nem identificar a marca do produto, como vai diferenciar o produto que tem mais ou menos qualidade? Ou seja, como a qualidade dos produtos vai aumentar ao longo do tempo se o consumidor não sabe quem a tem e quem não tem? Qual o tamanho deste problema?

 

 

 

Dr. Luccas: Eu não tenho dados pra dizer a você exatamente quantas toneladas de ração a granel [são vendidas], talvez alguém tenha, mas o que nós vimos nas nossas pesquisas é que a ‘marca’ GRANEL, ou seja, quando perguntado a consumidores [que marca era consumida], era a terceira maior ‘marca’ do setor.

 

Isso é muito alto. Isso é um alerta muito grande para o setor no sentido de evitar a ‘comoditização’ do mercado.

 

 

Nós não podemos aceitar isso, como qualquer empresa, porque isso, além dos aspectos técnicos envolvidos, que são terríveis.

 

Que ração é essa que está sendo fornecida para o animal? Como é que ela foi armazenada? Prazos de validade. Responsabilidade. Todos esses aspectos se somam à perda de diferenciação por parte do consumidor.

O consumidor já não enxerga mais as marcas, então é uma commodity.

 

É como comprar arroz. Pior, não é? Até arroz tem nome, não é? Quer dizer, tem marcas aí de sucesso. Então é crítico. Toda a indústria, todo mundo deve estar preocupado no sentido de diminuir isso aí, coibir esta prática.

 

[OBS: sobre o tema, clique aqui e leia tb. a F.A.Q.]


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"... nas nossas pesquisas (...) a ‘marca’ GRANEL (...) era a terceira maior ‘marca’ do setor...”

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(pg.05.) (continua). (topo).

 

 

 

     
     

nutrição.Vet: 06- Nós estamos aqui em no curso da UNESP Jaboticabal para aprimoramento de profissionais do setor de produção de alimentos para pets. Qual a importância no Brasil do aprimoramento técnico das pessoas deste segmento?

 

 

Dr. Luccas: Para mim é muito simples ver isso e vejo com excelentes olhos.

 

Se o futuro do nosso setor depende da diferenciação dos nossos produtos, a qualificação do profissional é fundamental.

 

Sem ele não há produtos melhores, inovação, produtos de melhor qualidade.

 

Sem ele não há diferenciação e sem diferenciação  não há aumento de valor de segmento. Ou seja, perdem todos.

curso alimentação e nutrição de cães e gatos. melhor alimento para gatos, melhor dieta para cães, regime para pets, nutrição veterinária, melhor ração.

 

 

Então eu fico muito feliz, muito satisfeito, acho que [os organizadores do curso] estão no caminho certo.

(pg.06.) (continua). (topo).

 

 

 

     

nutrição.Vet: 07- Obrigada pela entrevista. Tem uma mensagem final?

 

 

Dr. Luccas: Só gostaria de reforçar um ponto: é você ver o futuro com olhos diferentes do que você vê o passado.


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"... você ver o futuro com olhos diferentes do que você vê o passado.”

 

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Ou seja, o que levou o setor até o momento em que nós estamos no Brasil, não necessariamente são os mesmos critérios que vão levar este setor ao crescimento para os próximos anos.

 

Há obviamente empresas muito mais direcionadas, focadas, outras talvez não tanto, mas essa diferenciação tem que ser clara.

 

Nós estamos em outro vetor de crescimento, outros fatores vão ser responsáveis pelo crescimento duradouro do nosso setor.


(pg.07.) (fim). (topo).

 

 

 

 


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