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Entrevista

Prof. Dr.
Carlos Castrillo González
Departamento de Producción Animal y Ciencia de Alimentos
(Fac. de Veterinaria)
Universidad de Zaragoza
 ZARAGOZA-ESPAÑA
entrevista  - jul/2009
(en español)

   
 

Prof. Castrillo trabalha com microbiologia intestinal e produção de proteína pela microflora de animais.


Segundo o prof. Aulus Carciofi, Castrillo foi muito humilde nesta entrevista ao falar das próprias atividades: “Ele é um cientista com um impressionante raciocínio lógico e embora tenha mais experiência com animas de produção, tem pesquisas muito relevantes na área Pet.”
O nutricionista esteve no Brasil em julho de 2009, onde ministrou disciplina de pós-graduação na UNESP-Jaboticabal e proferiu palestra na Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia realizada em Maringá-PR.


O nutrição.Vet aproveitou a oportunidade para entrevistar o especialista. Confira o texto completo a seguir ou acesse um dos atalhos abaixo:

parte 1: Na Espanha a Veterinária mudou recentemente.
parte 2: O Brasil tem ótimos recursos em nutrição clínica Pet.
parte 3: Na Espanha o governo não apoia pesquisas com Pets.
parte 4: Onde se aprimorar na Europa.
parte 5: Mercado Pet Food hoje.

     

     
nutrição.Vet: Prof.,  o que achou do que viu no Brasil?    

 

Prof. Castrillo: Uma diferença com o Brasil é que na Espanha a Veterinária até 3 anos, havia três especialidades. Havia o veterinário clínico, que seria o veterinário do Brasil e do resto da Europa; depois havia um veterinário que era da produção animal que no Brasil é o Zootecnista e o Engenheiro Agrônomo, na Espanha ele é veterinário especialista em zootecnia; e um Veterinário que era especialista em higiene e bromatologia. Então havia três tipos de veterinário e só um correspondia ao Veterinário Clínico o Clássico de Medicina Veterinária. Então eu sou um Veterinário atípico eu sou um Veterinário-Zootecnista.

Na Espanha temos 3 anos comuns e a partir do terceiro ano, os dois anos seguintes, se faziam diferentes especialidades. Então sou um veterinário-zootecnista, sou um nutrólogo, mas nossa especialidade estava em animais de  produção, de renda, e nunca nos havíamos ocupado, nós veterinários de produção animal e nutrólogos, até 10 anos, nunca havíamos nos ocupado de animais de companhia.

Agora na Europa tratam de homogenizar os estudos de Veterinária. E o veterinário que se quer ter para toda a Europa é um Veterinário Clínico, como é o Veterinário do Brasil.

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"... nós veterinários de produção animal e nutrólogos, até 10 anos, nunca havíamos nos ocupado de animais de companhia."

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E então, em algumas Faculdades, alguns nutrólogos que nos ocupávamos em  trabalhar com bovinos, com suínos, com aves, começamos a trabalhar com animais de companhia. Todavia não estão muito avançados, digamos, os estudos com animais de companhia. Até agora, da nutrição de animais de companhia, se ocupava mais mal que bem, o veterinário clínico.

Digo mais mal que bem pois na verdade não fazia nutrição o clínico, mas como ninguém se ocupava de fazê-la, o Clínico o que fazia era receitar o Vade Mecum das empresas e utilizava o Vade Mecum para atender aos distintos casos. Então eu em particular, há 12  anos, tenho tentado trabalhar um pouco com animais de companhia e temos tido cada vez mais problemas. (pg.1.) (continua). (voltar ao topo)

 

     
     

Como é na Espanha a nutrição clínica de Pets?

   


Prof. Castrillo: Um dos grandes problemas é que os veterinários clínicos e de cirurgia nos hospitais não colaboram para que nós nutrólogos entremos na área. Pensam que nunca nos havíamos ocupado disso e que agora queremos e eles até agora vinham atendendo. Mais mal do que bem, mas vinham atendendo. Essa é a dificuldade principal.


Então... havia conhecido Aulus dentro da Associação Européia de Nutricionistas e de Nutrição Comparada e ... queria conhecer como se pratica a nutrição na Clínica, que na Espanha não é tradição. Sim na Europa, mas na Espanha, não.


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"... Os recursos que há no Brasil (...) em relação à nutrição de animais de companhia são claramente muito superiores aos que há em qualquer Universidade da Espanha."

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Os recursos que há no Brasil especificamente na Faculdade em Jaboticabal em relação à nutrição de animais de companhia são claramente muito superiores aos que há em qualquer universidade da Espanha, faculdade da Espanha, onde temos muito desenvolvimento na nutrição de animais de produção, mas muito pouco desenvolvimento na investigação sobre  animais de companhia.



Eu atualmente tenho também um serviço de nutrição no hospital com uma moça que esta sendo treinada para ter a diplomação Européia e... digamos que nos consideram intrusos.


E como na nutrição, a maior parte dos casos são casos referidos de outras especialidades, quando chega um cão ou um gato no hospital, a maior parte passa em distintos serviços clínicos e de medicina, se não há uma boa colaboração entre o patologista e a nutrição, não nos chegam muitos casos porque  os atendem eles mesmos. (...) não entendem bem o esquema de trabalho, não entendem que são ‘parceiros’, entendem como se fosse uma concorrência.
(pg.2.) (continua). (voltar ao topo).


     
     

Quem financia os projetos de pesquisa?

   

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"... na Espanha (...) o governo não financia nenhum projeto de investigação relacionado com animais de companhia, com alimentação..."

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Prof. Castrillo: Na Espanha ocorre uma coisa sobre o financiamento do governo: o governo não financia nenhum projeto de investigação relacionado com animais de companhia, com alimentação, porque entende que somente as empresas se beneficiam. No entanto, os projetos relacionados com o ruminante, com suíno e com as aves são subvencionados. Então é mais fácil conseguir o financiamento para projetos de investigação de animais de produção. Para animais de companhia todo o financiamento tem de vir através de empresa privada.

E também... é difícil adaptar-se porque quando trabalhamos com animal de produção, nós geramos os projetos a partir de hipóteses nossas e normalmente temos a liberdade de desenhar os experimentos e de experimentar o que nos parece mais adequado. E  quando se depende das  

casas comerciais muitas vezes temos que fazer em grande parte do peso da investigação sem maior interesse, só para atender a interesse das empresa com protocolos que são muito simples que não são os ideais para se formar as pessoas.


Todo o financiamento vem de empresas e isso é um problema na Espanha, pois não há nenhuma empresa grande, forte nem companhias espanholas muito fortes. Então toda a investigação até agora em animais de companhia eram feitas por empresas grandes de outros países: Waltham na Inglaterra ou Royal Canin na França ou Ralston-Purina dos Estados Unidos. E não temos empresas fortes locais, que financiem uma investigação.

A única empresa forte é uma que se desligou de Ralston-Purina, que é Affinity, e não tem muita tradição de pesquisa, pois estava acostumada que toda a informação vinha normalmente da Ralston-Purina, cuja matriz é em Saint Louis nos EUA.


Então na Espanha não há uma tradição têm muito interesse, mas quando você faz um orçamento eles perdem o interesse, em 90%
(risos) pensam que a investigação é barata ... e há poucas casas que são capazes de colocar recursos para custear o preço de uma investigação que é muito cara,  é muito custosa.
(pg.3.) (continua). (voltar ao topo).


     
     

nutrição.Vet: Um  universitário, brasileiro, interessado em nutrição de cães e gatos, onde pode achar aperfeiçoamento de qualidade?

Prof. Castrillo: Dá-me a impressão de que a maior tradição dos estudantes brasileiros é irem para os Estados Unidos fundamentalmente, onde existem centros muito fortes. Na Espanha especificamente há muito poucos estudantes brasileiros. Há muitos estudantes da América Latina, mas que falam espanhol.


Na Europa há centros onde há uma certa tradição de nutrição clínica ainda que tiveram o mesmo problema. o nutrólogo, no resto da Europa também não era um nutrólogo normalmente dedicado aos animais de companhia.

Mas na França há muito tempo há uma tradição de nutrição clínica, em Glasgow..., há vários centros... em Berlim, na Áustria também trabalham com nutrição clínica.

Então sim há centros... acho que o maior problema é, sobretudo, eu imagino, as bolsas, as ajudas financeiras.


Na Europa agora o sistema geral universitário está mudando. (...) As carreiras Universitárias eram muito diferentes entre países. E agora se pretende  homogeneizar com o objetivo de que o estudante possa estudar em qualquer país da Europa e o diploma ser  homologado.


Então vão haver carreiras de quatro anos, em geral, que são as graduações. E depois vão haver os Mestrados que são de um ou dois anos, que dão às pessoas

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"... Na Europa agora o

sistema geral

Universitário está

mudando..."

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acesso  de fazer o doutorado. E será homologado em toda a Europa. Mas Veterinária, Arquitetura e Medicina têm uma graduação própria que é de mais de quatro anos. Veterinária será cinco anos, como é agora e Medicina, seis anos.


E até hoje em Veterinária, as Universidades Públicas não tinham mestrado. Os mestrados eram privados, em geral. Então agora as Universidades Públicas é que terão os mestrados.


Então haverá uma graduação em Veterinária, que é uma   ‘licenciatura’  e depois todas as Universidades vão ofertar Mestrados  e estes Mestrados serão de especialização.  Que serão de um ano ou dois anos. Os bons serão de dois anos, os não tão bons, serão de um ano. E são os que dão acesso à carreira docente e à carreira de pesquisa, investigadora.(pg.4.) (continua). (voltar ao topo).


     
     

nutrição.Vet: Qual sua avaliação sobre o mercado pet food no mundo hoje?

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"Não sou um especialista, mas a informação que tenho é que o mercado mais emergente que há agora em pet food é a América Latina e dentro dela o Brasil."

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Prof. Castrillo: Não sou um especialista, mas a informação que tenho é que o mercado mais emergente que há agora em pet food é a América Latina e dentro dela o Brasil.


O mercado nos Estados Unidos está bem mais parado em termos de dados. Com crescimentos de 1% a 2% no máximo. E na América Latina, particularmente no Brasil, está em torno de 4% a 5% anual.


Na Europa há grandes diferenças entre a Europa antes chamada  ‘dos quinze’,  é a Europa do Oeste, e da Europa do Leste. O mercado está se diferenciando pela diferença de crescimento.  Nos últimos 4 anos

entraram 11 países mais na Europa, que são os países do leste que têm muito pouco desenvolvimento  em animais de companhia quanto a alimento industrial e agora se transforma no mercado que mais cresce.


E depois há mercados que são muito pouco conhecidos pois não haviam entrado. Dentro destes pode se citar China, ou.. então normalmente se dá pouca importância ao mercado da África ou da Oceania.


E depois há diferenças no tipo de animal de companhia. Por exemplo no Brasil há uma enorme diferença entre as os lares  que têm cão ou gato. Gatos era muito menor e agora está crescendo. Na Europa o número de gatos é muito maior e cresce cada vez mais. Pois as famílias são mais sedentárias e vivem em apartamentos pequenos. Então tendem mais ao gato ou ao cachorro pequeno.


Na América Latina há bastante cães e guarda e há mais mercado por exemplo para o cachorro grande do que para o cachorro pequeno. E há muito poucos gatos, em comparação. No mercado petfood 75% do mercado é de cães e 25% de gatos.(pg.5.) (voltar ao topo).

 


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